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segunda-feira, 8 de abril de 2013

O AMBIENTE COMO MEIO PARA O ILÍCITO



“A árvore, que comove com lágrimas de alegria algumas pessoas, é para os olhos de outras pessoas, apenas uma coisa verde que se levanta no caminho. Algumas pessoas veem na Natureza apenas ridículo e enfermidade, e por esses eu não regularei as minhas proporções. Algumas outras mal chegam a ver a Natureza. Mas para os olhos do homem de imaginação, a Natureza é a própria Imaginação. Conforme o homem é, assim vê.”
              (Blake, 1757 —1827, poeta, tipógrafo e pintor inglês)
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            A recente ação da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, que resultou nas prisões de agentes políticos e de outras pessoas envolvidas em corrupção em processos de licenciamentos ambientais, expõe o ambiente poluído por interesses mesquinhos, de cunho meramente monetário, em detrimento de uma atmosfera sadia sob todos os ângulos.
            Não bastasse o fato de a Natureza – como patrimônio da humanidade – continuar a sofrer desastres de grandes proporções, as autoridades constituídas – que deveriam ser as encarregadas de a tutelar – desnudam-se, publicamente, como coniventes e patrocinadoras de corrupções que usam o ambiente natural somente como “meio” de suas ignóbeis práticas inconsequentes.
            É verdade que tais autoridades já demonstravam ser morosas e em não raras vezes relapsas na apreciação de demandas por licenciamentos ambientais. No foro de Piratini, por exemplo, tramita um processo contra a FEPAM, cujo autor é um cidadão idoso que, após ter somados despesas para a formulação de um pedido de regularização de loteamento e ter encaminhado a esse órgão, toda a documentação (inclusive já com pareceres expedidos!) foi lá extraviada, gerando, ainda, mais demora ao interessado – um exemplo de desídia no trato da coisa pública!   
O nosso Estado é berço de José Lutzenberger, um ativista pela ecologia que chegou a ocupar o alto cargo de Secretário Especial do Meio Ambiente no Governo de Collor de Mello. Sua passagem foi breve em tal mister   justamente por suas fortes denúncias contra corrupções no IBAMA.
Se estivesse vivo, Lutzenberger provaria nova indignação ao saber que em sua terra natal – com nome de “rio” – maus políticos e maus servidores trocam licenças ambientais por moedas, sem pensarem no futuro da Natureza.
Enquanto seu exemplo de homem público não for imitado, principalmente pelos ocupantes de funções relacionados ao meio ambiente, Gaia - deusa grega da Terra - chorará a indiferença de incertos Homo sapiens desprovidos de respeito pelo próprio planeta onde vivem.  
           
            JUAREZ MACHADO DE FARIAS
    Advogado e Radialista.
            juarez.piratini@yahoo.com.br
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domingo, 3 de março de 2013

O AMOR AOS ANIMAIS NA LITERATURA GAÚCHA



A gênese sócio-econômico-cultural do gaúcho está visceralmente associada às vísceras de animais vacuns, carneados e coureados, após serem caçados na extensão sem aramados dos campos do Pampa. O charque, o couro, o sebo são substantivos indissociáveis a esse tipo humano que, naqueles tempos idos, era sinônimo de gaudério que, por sua vez, era sinônimo de vagabundo, ladrão, parasita.
A  relação do gaúcho campeiro não raro é cantada como sendo desarmônica no tocante aos animais com os quais convive, dado, talvez, ao viés utilitário que a racionalidade humana dirige aos mesmos, seja em se tratando do cavalo (veículo de locomoção e de tração e instrumento de competição), do vacum (produto de consumo, tração e comércio), do cachorro (ajudante nas campereadas), do gato (caçador de ratos nos paióis de milho e moradias).
Mas quem buscar na literatura oral, musical e bibliográfica do Rio Grande do Sul terá felizes surpresas ao se defrontar com evidentes sentimentos de compaixão dedicados pelos seres humanos aos animais.
Um exemplo está no conto “Boi Velho”, de autoria de João Simões Lopes Neto, o qual faz parte da obra “Contos Gauchescos”. Na vasta obra de Barbosa Lessa também se encontram imagens que expressam amor aos animais, mesmo quando o relato tende ao pitoresco como, no conto "Queimadores de Campo", de Barbosa Lessa, publicado, inicialmente, no seu livro “O Boi das Aspas de Ouro” e, recentemente, na derradeira obra "Histórias para sorrir" (Editora Alcance, 2005).
O conto “A Cidade”, também de Barbosa Lessa, incluída no livro “Rodeio dos Ventos”, que já integrava o citado livro “O Boi das Aspas de Ouro”, é outra prova da valorização dos animais, tanto que o cusco Mosquito é a personagem principal e, certa vez, movido pela curiosidade, resolve seguir seu dono a cavalo e juntos entram na cidade que para ele era um mundo desconhecido. Quem desvenda os mistérios daquele núcleo urbano é o cusco e pelas informações que chegam ao leitor, sugeridas pelo belo texto, a cidade é, sem dúvida, a histórica Piratini.
Na discografia gaúcha, podemos lembrar: “O boi é bicho mas tem alma sob o couro”, um verso de José Hilário Retamozo na obra musical “Poncho Molhado”, verdadeiro clássico nativista; "Matança” (de José Cláudio Machado), uma música que denuncia a venda de cavalos velhos para os matadouros; “Florêncio Guerra e seu Cavalo” (versos de Mauro Ferreira musicados por Luiz Carlos Borges) fala da tristeza do peão ao ser obrigado pelo patrão a matar o cavalo de sua confiança, onde a comoção do empregado rural é tanta que comete suicídio logo após apunhalar seu amigo.
Embora a visão antropocêntrica ainda pareça imperar com vigor, vislumbra-se um crescimento de uma consciência acerca dos direitos dos animais, tanto pelos noticiários nos grandes meios de imprensa, quanto pelo crescente número de páginas virtuais dedicadas ao tema. É uma perspectiva que se abre para que os humanos se enxerguem não como superiores aos demais seres mas, sim, como habitantes deste planeta Terra, com deveres de respeitar a diversidade biológica, inspirados em valores éticos e ecológicos. Nesse contexto está, obviamente, o gaúcho que não poderá fugir desse sentimento global, nem que para isso tenha de revisar suas “tradições”.


JUAREZ MACHADO DE FARIAS
  Advogado e Radialista.
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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Recoluta no Rui Ramos recebe visita de francês


Um espaço para uma boa prosa e  onde o vocabulário gaudério ou rural como por exemplo "bombeia ali em riba", que traduzido significa “olha ali em cima” e  também para a culinária onde o carreteiro e o indispensável feijão campeiro são obrigatórios no cardápio e, é claro, para a cantoria com gaita e violão que abrigam não só canções, mas os destacados desafios de trovadores. Esse é o cenário encontrado na Recoluta promovida pelo tradicionalista Luiz Carlos Antunes que, ao migrar para a cidade, manteve o evento que divertia na zona rural onde morava, o transformando em uma atração na última sexta-feira de cada mês junto à patronagem do Centro de Tradições Gaúchas 20 de Setembro.
Com o CTG interditado pela prefeitura para que realize as adequações de segurança contra incêndio, a saída para manter a Recoluta ativa  foi conseguir um espaço provisório na Escola Rui Ramos.
A oportunidade possibilita a fusão do trovador que já gravou seu Cd e até fez shows, com aquele que a mantém ativa na intenção de que a arte apreendida no cotidiano do homem do campo não integre os costumes tradicionalistas que vem se perdendo e sendo esquecidos ao longo do tempo devido a evolução tecnológica e a evasão do campo pra cidade.
O Mandiquinho Éder Alves, cria do falecido Don Erni Alves, figura referência no gauchismo da 1ª Capital, o trovador Aristeu Silva e os demais, fizeram uma homenagem ao trabalho jornalístico e musical que realizamos na Rádio Nativa, inserindo o tema nos versos cantados em alguns dos desafios da noite, o que você acompanha no vídeo abaixo.
No encontro da sexta, os participantes receberam a visita dos alunos do Curso de Sapadores Bombeiros, ministrado pelo Francês Pierre – Louis Lamballais e de sua esposa, a bombeiro militar em Brasília Major Marina Lamballais.
Pierre visitou a cozinha, ouviu e deu dicas gastronômicas  aos cozinheiros Sérgio e Gilson (foto à direita acima) e, é claro, provou e aprovou os tradicionais pratos da culinária campeira.




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domingo, 10 de fevereiro de 2013

CULTURA E TURISMO: PASSAPORTES PARA A CIDADANIA




"A cultura é aquilo que permanece no homem quando ele já esqueceu todo o resto.”
                                 (Émile Henriot, escritor francês, 1889 — 1961)
                                                               ............
- Por que, no Brasil, as verbas governamentais destinadas às pastas de cultura e turismo ainda são acanhadas em relação às outras áreas?
Certamente porque nosso jovem país ainda não amadureceu o bastante para entender que esses dois substantivos podem ser agregados a outras pastas como Saúde e Educação, por exemplo, e, com isso, obter-se um produto importantíssimo de geração de cidadania.
Um povo que tem acesso fácil à boa literatura, pode experimentar outros horizontes e, com isso, enxergar-se melhor no diversificado panorama mundial, medindo suas potencialidades e deficiências, e, com isso, evoluindo para um ser pensante, com autonomia para escrever suas ações sem a tutela de outro(s).
Eventos culturais e turísticos, além de gerar renda para os cofres públicos, podem, sim, impulsionar as pessoas a terem clareza de seus direitos e deveres na sociedade. Não falo de “pessoas cultas” no sentido de nível de instrução mas de mentes esclarecidas por informações que as levarão a práticas positivas: prevenção a doenças, preservação do meio ambiente, etc.


Registro, a propósito, meu elogio à Prefeitura de São Lourenço do Sul que, após sofrer um imenso alagamento em 2011, mostra-se revigorada, com ciclovias, o retorno de atividades já famosas como às típicas do verão e o Reponte da Canção, festival de música nativista, no mês de março.     
A propósito de sua praia, o camping municipal mostra-se estruturado, com banheiros limpos, boa iluminação e com presença efetiva da administração que distribui aos turistas material informativo sobre prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, como consumir alimentação  saudável, além de outros atrativos como o caminhão do SESI que oferece uma biblioteca à população.
Enfim, cultura e turismo não são políticas supérfluas, nem podem ser reduzidas na comparação com outras pastas, como tanto acontece no Brasil, sob pena de continuarmos alienados em nossas aldeias, sem interagir com outras culturas e a perder boas oportunidades de crescermos como cidadãos do mundo.    


JUAREZ MACHADO DE FARIAS
   Advogado. Radialista.
Contato: juarez.piratini@yahoo.com.br

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A ELETROLA




“A memória é o essencial, visto que a literatura está feita de sonhos e os sonhos fazem-se combinando recordações."
(Jorge Luis Borges, Escritor Argentino, 1899-1986)

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            Na sala, o som com ruídos de agulha no disco.
            Sobre a mesa, aberto o livro: “Os Miseráveis” de Victor Hugo.
            Do quarto escuro, o último suspiro do patriarca era o início de um tempo de partilhas materiais e imateriais. Campos, casas, gados, harmonias, memórias se dividiriam no inventário em que o advogado da família de boa fama marcaria e remarcaria reuniões para consensos.
            - A quem tocou a eletrola?
            A pergunta se perderia nos desvãos do casarão – futura ruína.
            A resposta seria esquecida na boca do filho mais velho, no ouvido do filho do meio, nos dedos do filho mais moço com um extrato bancário entre os dedos.
            Não se sabe como a eletrola está, agora, em uma praça de Montevidéu, exposta à venda em um sábado de sol, próximo à catedral católica, em meio a outras bugigangas.
            - Quem comprará a eletrola?
            A pergunta se perderá nos sóis e luares dos tempos de tecnologia e consumismo.
            Mas uma música talvez ainda reste ao adquirente daquele monumento de nostalgias. E, num entardecer de domingo, a eletrola voltará a girar a agulha, num toque de assombração.     

Juarez Machado de Farias
Advogado. Radialista.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A ORQUESTRA QUE SOMOS




            “Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.”
(Martin Luther King, político norte-americano, 1929-1968) 
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O sapateiro, o médico, o gari, o advogado, a dona-de-casa, o mecânico, o engenheiro, o agricultor, a empregada doméstica, o radialista – não vejo como diferençar em grau de importância uma profissão de outra. Cada uma  compõe a imensa orquestra da sociedade. Se somente um dos artistas falhar, a música não será a mesma.
Penso na cidade tocada pela vassoura do gari. Imagine se ninguém aceitasse trabalhar nesse valoroso labor: recolher, com a vassoura, as folhas secas das árvores, os plásticos e restos de cigarros deixados por pessoas que ainda não descobriram que o planeta é a casa de todos e por isso deve ser limpa em todos os seus meandros.
O gari soleniza os espaços públicos para que os transeuntes andem livremente pelas praças, calçadas, ruas, ruelas – higienicamente no direito constitucional de ir e vir. O gari dignifica a cidade. E dignidade não tem preço.
Recentemente, no mundo, outra profissão se expande com um viés de ecologia e inserção social: a de catador. Resíduos sólidos produzidos pela humanidade precisam ser reciclados: é o luxo que deve virar luxo, seja no reaproveitamento para tornar-se em produtos utilitários, seja para tornar-se húmus para a riqueza dos solos. Alguns se preocupam em escolher eufemismo para o ofício: “agente ambiental”. Qualquer que seja o nome, o mister é nobilíssimo.
Se cada um dos músicos da orquestra que somos buscar a perfeição em cada número musical, em cada ensaio, a apresentação final deverá ser bela, fascinante aos ouvidos onde chegar.
Cuidado: não vamos desafinar.


        JUAREZ MACHADO DE FARIAS
www.juarezmachadodefarias.blogspot.com 
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ÉTICA PARA TUDO E COM TODOS


                                         ÉTICA PARA TUDO E COM TODOS
  
     “O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens.”
                         (Albert Schweitzer, músico, filósofo e médico alemão, 1875 —1965)
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                Luciano Huck, no seu programa semanal, edição de 19 de janeiro de 2013, pela Rede Globo de Televisão, repetiu reportagem veiculada em 21/01/2012, onde em ambas matérias deu relevante destaque à causa animal, ao focar a atuação do Clube do Vira-Lata, uma entidade que trata de cães abandonados, em São Paulo.   
                Antes de tecer qualquer comentário, preciso considerar duas situações. Escuto pessoas dizendo que não toleram outras “pessoas” e que preferem o convívio com cães e gatos. Escuto outras dizendo que só “pessoas” têm valor. 
                São, enfim, dois polos: 1) na supervalorização dos seres humanos como proprietários deste planeta; 2) na supervalorização dos animais não humanos em detrimento das relações com os seres humanos.
                Entendo, humildemente, que devemos corrigir esses extremos para uma posição eclética que inclui a ética para tudo e com todos, ou seja, uma conduta única em todos os ângulos de nossa relação, afinal, nós, “racionais”, interagimos com seres humanos, não humanos, seres inanimados, em um mosaico de diversidade. Isso acontece desde que estamos no ventre materno. Não se está em uma bolha mas em uma biosfera, lugar de interações  - raras, frequentes ou permanentes conforme os casos.  
                Devido à concepção antropocêntrica – na qual o homem é o centro da natureza -, tolerou-se ao longo da historia da humanidade incontáveis desumanidades com outros seres tidos como irracionais e no exaurimento dos recursos naturais, praticando-se guerras e genocídios.
                No entanto, estou convicto na evolução espiritual do Universo onde nosso planetinha Terra é um minúsculo grão e neste, por sua vez, percebem-se ações concretas em prol de uma tomada de consciência para um bem-estar coletivo e não só para nós, seres humanos. Nas redes sociais pela internet, por exemplo, são fartas e diárias as mensagens que buscam sensibilizar sobre os sofrimentos de animais, de crianças, mulheres, idosos, etc.
É a compaixão que se amplia não só para uma espécie (especismo) mas para qualquer mal estar porque este acaba por dificultar a afinação da orquestra universal na qual somos músicos, irrevogavelmente. 
O bom de tudo é que só pelo fato de QUERERMOS ser éticos com tudo e com todos, nossas atitudes melhoram: passam a ser cuidadosas e carinhosas, evitando e corrigindo práticas como jogar papel de bala nas ruas e abandonar cães e gatos.

 JUAREZ MACHADO DE FARIAS
                     Advogado. Radialista.
Contato: juarez.piratini@yahoo.com.br
               




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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A SAÚDE COMO DIREITO À DIGNIDADE




“É coisa preciosa, a saúde, e a única, em verdade, que merece que em sua procura empreguemos não apenas o tempo, o suor, a pena, os bens, mas até a própria vida; tanto mais que sem ela a vida acaba por tornar-se penosa e injusta."
(Michel de Montaigne, político, filósofo, escritor e ensaísta francês, 1533 —1592)
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É lamentável que em nosso país, em pleno Século XXI, ainda aconteçam eventos como “bingos” e “rifas” com o fim de se angariar recursos para aquisição de medicamentos, fraldas descartáveis  e procedimentos médicos a pessoas em situação de fragilidade.
A Constituição Federal brasileira é muito clara em garantir:
“Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”  
Ora, sendo a saúde um direito consagrado legalmente, os Estados e os municípios não podem descumprir tal preceito, deixando ao desalento quem tanto necessita da devida assistência. 
            Por isso, quem se acha com necessidade de bens para sua saúde, deve exercer sua cidadania,  buscando tais direitos que não são favores mas que correspondem a um dever das instituições governamentais.
            Quem não possuir condições de arcar com honorários de advogado, tem também o direito à assistência judiciária gratuita: deve solicitar nos foros a nomeação de profissional dativo para ajuizar ação competente, ou seja, sem qualquer custo para a pessoa, ou buscar nas promotorias de justiça e nas defensorias públicas igual providência.
Se houver comprovação da necessidade do pedido judicial, certamente que o juiz ou os tribunais concederão as medidas para a felicidade do demandante. Caso os entes públicos desobedecerem à ordem, poderá haver bloqueio das contas do Estado ou do Município para destinação ao pagamento da providência devida.    
Não se pode conceber que, embora se fale tanto em Estado Democrático de Direito, a prerrogativa da dignidade humana seja desrespeitada pois certamente a VIDA é o bem jurídico maior. VIDA que contém, de modo implícito, um substantivo que lhe é imanente: SAÚDE. 
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JUAREZ MACHADO DE FARIAS
            Advogado.

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SENHORA POESIA PARA SEMPRE



    No dia 28 de janeiro de 2013, viajou para outro plano uma importante personagem de minha passagem terrena: LÍGIA ANTUNES LEIVAS. Foi minha professora de Língua... Portuguesa e Literatura Brasileira em 1988, quando estudei no CAVG (Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça), em Pelotas. Sua alegria e vigor governavam, sem ferir, as aulas que proferia. Fiquei impressionado com seus vastos conhecimentos sobre os temas que abordava.

   Professora Lígia, como a chamávamos e como sempre a chamei, compartilhava seus livros com os alunos que demonstravam interesse pela boa leitura. Assim, a cada vez que eu voltava de Pelotas para a casa de meus pais, levava comigo muitos livros dela o que ampliava meus horizontes.

    Quando fui empossado na cadeira nº 01 da Academia Piratiniense de História, que tem como patrono Barbosa Lessa, para minha surpresa lá estava entre as pessoas presentes a querida Professora Lígia que proferiu um lindo e emocionante discurso em minha homenagem.

     Sempre incentivou meu fazer-literário. Sugeria-me, elogiava. Acho até que deveria ser mais rigorosa comigo. Meu primeiro livro de poemas – VERSO DE AZUL -, editado em 1995, pela Editora da Universidade Federal de Pelotas, teve muito de sua contribuição, por isso, a justa dedicatória que lhe fiz nele.

    Em 16 de dezembro de 2008, fui escolhido pela Academia Sul-Brasileira de Letras, como personalidade cultural daquele ano. Mais um ato de generosidade da querida Mestra: Professora Lígia era a Presidenta da entidade que realizou uma bela noite de entrega de prêmios, momento esse que ficou registrado o seu rosto sempre radiante.

    Quando publiquei no meu blog uma matéria sobre a homenagem, ela publicou a seguinte postagem:

   “Juarez, ilustre ativista cultural, especial amigo: Em meu próprio nome e no de nossa querida ASBL, agradecemos a gentileza que tiveste em postar em teu blog tão distinta notícia. Mérito é de quem o tem. Por isso, foste o escolhido neste ano de 2008. Personalidade Cultural é tua característica, por onde quer que vás, mas pensamos que este título ficaria perfeito junto ao teu nome quando estávamos escolhendo nosso homenageado!Parabéns para ti e obrigada pela notícia. Muita LUZ em 2009!”

    Professora Lígia: SENHORA POESIA, como a chamei em um texto para publicação em um de seus livros de poemas! Sua presença e somente a lembrança de sua existência já eram estrelas de enorme brilho em minha vida. Agora (tenho certeza) esse brilho ganhou maior espectro: além da Terra, alcança outras dimensões.

    Está, quiçá, no Céu, agora, a ensinar a outras estrelas lições de brilho com humildade.




        JUAREZ MACHADO DE FARIAS
          ADVOGADO E RADIALISTA
                      
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O PREÇO DA INCOERÊNCIA

“Ser coerente significa ser tão ignorante hoje como há um ano atrás.” (Bernhard Berenson, 1865 - 1959, estadunidense historiador de arte, especializado na Renascença). ................. Diante da participação do PT de Piratini no governo do 45, ouço críticas contundentes dos que esperavam uma conduta oposicionista do vereador petista Lourenço de Souza. No entanto, é preciso se sopesar outras circunstâncias como a busca do bem coletivo e o próprio crescimento do partido em nível municipal. É indiscutível que a coligação que apoia o 45 desde 1996, em Piratini, cresceu e se solidificou na união de siglas diversificadas em suas pautas ideológicas e trajetórias nacionais: PSDB, PDT, PP, PSB, PTB e DEM. Agora, com o PT, mesmo que não se fale em coligação nas próximas eleições, o Prefeito Vilso respira um ar de governabilidade diante da falta de maioria de vereadores eleitos do lado governista: quatro, ficando o Vereador Lourenço como decisivo nas votações no palco legislativo. Embora as contrariedades públicas sobre o apoio petista ao governo tucano, é muito salutar que a população se manifeste a clamar coerência pois este substantivo induz a observações sobre as condutas dos ocupantes de cargos políticos. Com isso, tem-se observadores cidadãos, fiscalizadores ativos. Esse quadro de policiamento colabora para o aperfeiçoamento das administrações. “A política é o latifúndio das incoerências.” Esta frase de minha autoria, foi criada em 2005, no meu primeiro ano como vereador, e persiste incólume. Ser coerente tornou-se um drama para certos políticos. Há eleitores, talvez a maioria, que sequer se preocupam com coerência dos candidatos, vislumbrando outros aspectos como resultados imediatos, etc. O direito à habitação, à saúde, à educação são constitucionais e precisam ser concretizados, sob pena de se reduzir o índice de felicidade dos munícipes – argumento esse que inspira os partidos que apoiam, na esfera nacional, os governos, sejam eles tucanos, petistas, etc. Os eleitores, no exercício do voto, avaliarão ou não os atos coerentes e/ou incoerentes de quem gravita no espaço da política. A qualidade de cada observação dependerá do grau de maturidade de cada pessoa, neste país ainda criança na caminhada das experiências democráticas. JUAREZ MACHADO DE FARIAS juarez.piratini@yahoo.com.br
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sábado, 1 de dezembro de 2012

CONTOS INFANTIS PARA ADULTOS (ou “A MORTE DA INFÂNCIA”)




“Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.”
          (Fernando Pessoa, Poeta Português, 1888-1935)

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Para muitos habitantes deste planeta o vizinho Natal será sem presentes. Para uns, como sempre foi. Para outros, sem presentes e sem presenças como os parentes das crianças assassinadas recentemente em uma escola da costa leste dos Estados Unidos da América.   
A infância é o recreio e o estágio de uma vivência que se pretende chegar à idade adulta e à conquista de uma velhice sábia, tranquila, rica de experiências.
Escola é palavra associada a crianças, cheiro de caderno novo, merenda nutritiva e saborosa, espaço de aprendizado para o mundo além de suas paredes, para a realidade onde os insanos permeiam a sociedade e a ferem com ódios e vinganças perfurantes de dor e morte.
Os contos infantis são, de fato, muito necessários. Suas  narrativas fantasiosas ensinam que o bem e o mal existem e que “viver é perigoso” como ensinou o genial escritor brasileiro Guimarães Rosas.
- Por que crescemos, ouvindo essas estórias, e, quando adultos, desprezamos os cuidados que devemos ter com os monstros e malfeitores reais? 
- Por que, depois de grandes, cegamos nossos ouvidos e olhos à doença espiritual que pode estar a afetar um vizinho nosso, um parente, um colega de nossos filhos? 
- Por que, depois de crescidos, esquecemos de ser solidários com doentes a exemplo de Wellington Menezes de Oliveira que em abril de 2011 realizou semelhante chacina com crianças e adolescentes numa escola no Rio de Janeiro, e, que no entanto, era tido como bom aluno, apesar do bullying que  sofria de alguns colegas, e dos sinais de loucura que aparentava como buscar assemelhar-se ao guerrilheiro Bin Laden?
O assassino das crianças nos Estados Unidos cometeu suicídio após concluir a horrível missão de exterminar vidas que recém desenhavam sua trajetória neste mundo que, apesar de tantos avanços científicos, carece do maior e mais caro presente em todos os Natais: a PAZ UNIVERSAL.

Piratini, 15 de dezembro de 2012.


JUAREZ MACHADO DE FARIAS
   Advogado. Radialista.
Contato: juarez.piratini@yahoo.com.br

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

“ALIENAÇÃO PARENTAL”: UMA LEI PARA O BEM DOS FILHOS



“Crianças são mensagens vivas que enviamos para um tempo que não veremos.”
              (Neil Postmann, escritor norte-americano)
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Os legisladores precisam estar em sintonia com o tempo em que vivem e pensar que as leis devem se projetar no tempo e no espaço. As relações afetivas, por exemplo, são, frequentemente, temas de debates acadêmicos e de políticos com a competência para alterarem as legislações no mundo, como no caso do reconhecimento da união estável e do casamento de pessoas do mesmo sexo.
 Os filhos - crianças e adolescentes - projetarão seus pensamentos e atitudes a partir do que receberam do ambiente desde suas primeiras noções de consciência do seu papel na sociedade. Assim, é importante que, embora os afetos não mais existam entre os pais, haja um pacto de cooperação para a felicidade do filho.
Infelizmente, são muitos os casos de alienação parental, como os elencados na Lei Federal nº 12.318, de 26 de agosto de 2010: um dos pais tenta incutir no filho uma ideia negativa sobre o outro genitor; o filho é levado por um dos pais para uma cidade desconhecida, sem prévia comunicação ao outro genitor; dificultar o direito de visita ao filho por um dos genitores.
O artigo 2º da referida lei assim bem caracteriza esse fato: 
“Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.” 
Tive a oportunidade de acompanhar, como advogado, o caso de uma avó septuagenária que, com muita dificuldade para caminhar, subiu as escadas do Foro para lutar por seu direito de conviver com o neto de dez anos que tinha sido proibido pela ex-nora de visita-la, embora o menino demonstrasse à idosa o seu amor, por meio de acenos quando a via na rua. 
Durante a audiência, o senhor Juiz, já aplicando a Lei da Alienação Parental, alertou severamente a mãe do menor para que, imediatamente, restabelecesse o contato do neto com a avó paterna pois o infante tem o direito de conviver, sadiamente, com ambas as famílias de seus genitores.
As medidas que podem ser aplicadas em caso de confirmação da alienação parental dependem de cada caso, podendo, por exemplo, implicar ao alienador determinações judiciais como advertência, obrigação de pagamento  de multa e ampliação do direito de visitas e até alteração da guarda. 
Bendita esta lei que visa a saúde das relações humanas nos seios das famílias de pais separados, objetivando um clima de tolerância sempre possível para o bem das crianças e adolescentes.          

Piratini, 08 de dezembro de 2012.


JUAREZ MACHADO DE FARIAS
juarez.piratini@yahoo.com.br

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DE DENTRO PRA FORA


   

“O essencial é invisível aos olhos.”
              (Saint-Exupèry, escritor francês, 1990-1944, em “O Pequeno Príncipe”)

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É ditado ou sabedoria popular a frase “as aparências enganam”.
A casca esconde o doce ou amargo do fruto. A roupa esconde as feridas no corpo físico. O gesto cínico blinda o  sentimento real no espírito.
Os  seres humanos usam máscaras, cotidianamente. Os sinceros são tidos como inconvenientes por dizerem o que machuca os ouvidos dos descontentes.
   De qualquer forma, não quero ser pessimista. Acredito que o mundo está em franca evolução. Um exemplo disso é no tocante às relações conjugais: embora o aspecto descartável dos afetos, representado pelas tantas dissoluções e divórcios ajuizadas nos foros, penso que vencemos o triste tempo em que os casamentos eram mantidos apenas para se sustentar uma convenção social.
A novela veiculada pela  Rede Globo, às 18h, “Lado A Lado”, deixa claro esse capítulo nefasto: Laura não consegue conviver com a ideia de que seu esposo tem um filho de outro relacionamento, e, assim, pede o divórcio. Embora advertida pela arrogante baronesa, sua frívola mãe, de que poderá macular sua imagem, Laura comparece perante o Juiz e, com decisão, ratifica sua intenção de divorciar-se.
   

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

APOLÍTICO? IMPOSSÍVEL!!


                      
 O homem é um animal político. ”
Esta frase foi criada por Aristóteles (384 a.C. - a.C. - 322 a.C.), um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos e criador do pensamento lógico.

   “Na filosofia aristotélica a política é um desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática. Se a ética está preocupada com a felicidade individual do homem, a política se preocupa com a felicidade coletiva da pólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do Estado. Ele está entre os mais influentes filósofos gregos, junto com Sócrates e Platão, que transformaram a filosofia pré-socrática, construindo um dos principais fundamentos da filosofia ocidental. Aristóteles prestou contribuições fundantes em diversas áreas do conhecimento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural. “É considerado por muitos, o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental.” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles)

    Ainda se ouve muitas pessoas dizerem:

 - Eu sou 
apolítico.

 - Impossível!

   Alguém pode ser apartidário, ou seja, não ter filiação a nenhuma agremiação de cunho ideólogico (partido, etc...), mas, mesmo não participando, ativamente, de movimentos e/ou de decisões políticas, será sempre um “ser político”, pois está inserido – mesmo que não o perceba – num contexto de relações de poder (social, institucional, religioso...).

   Numa associação comunitária, por exemplo, deve se buscar políticas públicas para a comunidade onde a mesma está situada e para a qual foi criada. Sua ação é política, mas não deve ser partidária, pois, do contrário, estará ferindo a pluralidade de pensamentos das personagens daquele meio social.

  Assim, “ser político” é da natureza do ser humano que vive em sociedade. Quanto à política partidária, esta só terá avanços em qualidade quanto maior for a participação e fiscalização da população. Quanto mais o povo acompanhar as ações dos políticos que detêm mandatos, menor será a corrupção, menores serão os privilégios nas instâncias, maiores serão os compromissos desses mandatários com o bem-estar coletivo.
Aliás, a corrupção não é predicado exclusivo de Brasília. Brasília é aqui.
JUAREZ MACHADO DE FARIAS

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Beco da dona Santa

Numa segunda-feira, 09 de julho de 2012, à tarde, no átrio do Foro de Piratini, eu e meu amigo MURRÃO aguardávamos uma audiência. Ao falarmos de poesia, ele me deu o seguinte mote: “Beco da Dona Santa”. Referia-se a um ponto turístico de inspiração açoriana, situado no centro histórico de Piratini, que liga as ruas centrais Bento Gonçalves e Daltro Filho (pela primeira, defronta-se com a rua de calçamento irregular que dá acesso ao prédio do Correio; pela segunda, em frente à Sociedade Recreio Piratiniense). Dona Santa era uma senhora negra, a qual tive a honra de conhecer, nos idos de 1980. Era muito popular, proprietária de um hotel e restaurante no referido beco. Assim, não foi difícil para mim, mesmo no ambiente frio e tenso do Poder Judiciário, rabiscar estes tortos mas sinceros versos que, após concluídos, fiz questão de ler ao MURRÃO que os aprovou e que eu agora reparto com o público leitor. MURRÃO disse-me que quer os versos para fazer uma arte e emoldurar para afixar no próprio beco. Ficarei honrado se isso for possível. Assim, nesta Semana da Consciência Negra em plenas atividades em PIRATINI, com eventos de 16 a 18 de novembro na Associação Recreativa e Cultural Treze de Maio, e com sessão solene em 20 de novembro, pela manhã, na Câmara de Vereadores, é apropriado o presente tema: “BECO DA DONA SANTA" Que cidade feito águia A escutar o minuano, Sobrevoo de coragem Desde o passado açoriano?
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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

“Drento”, “É fundamental”: cacoetes e corruptelas


Escute muito. Valorize mais os dois ouvidos para que sua única boca somente propale palavras sábias e oportunas. A propósito, eis o provérbio árabe: “que minhas palavras sejam melhores que o meu silêncio.” 
 Porém escutar não quer dizer aceitar passivamente o que ouvimos. A propósito, eis outro provérbio: “a palavra tem um efeito nos lábios e outro nos ouvidos”.
Como não vivemos em um país de doutores, é óbvio que escutamos muitos cacoetes de linguagem e corruptelas, ou, comumente, palavras erradas.
Recente censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou 14 milhões de analfabetos no Brasil. Se considerarmos os critérios utilizados pelo IBGE, tais números são ainda mais temerários: hoje, é considerada alfabetizada a pessoa capaz de ler e escrever um bilhete simples.   
Por isso, não devemos gracejar de quem fala diferentemente da língua oficial, mas buscar entender o contexto daquele elemento de comunicação. 
É comum se ouvir um agricultor falar “Drento” ao invés de dentro, “bão” ao invés de bom; ou se escutar políticos repetirem o bordão “é fundamental”, como se não houvesse outra forma de se dizer que algo é importantíssimo; ou, ainda, “faz parte”, “com certeza”, e referentemente a apresentadores de rádio e televisão: “não saia daí”.
De outro lado, uma linguagem empolada, como a típica do mundo jurídico, acaba por cansar e dificultar o entendimento dos ouvidos da maioria popular.
Vamos fazer da língua um instrumento eficiente de comunicação, sem preconceitos, de clareza quanto a nossas ideias, livre de agressões a quem quer que seja.
Para finalizar, a fim de cuidarmos bem do que dizemos uma frase de Antoine de Saint-Exupèry, na obra “O Pequeno Príncipe”:
“A linguagem é uma fonte de mal entendidos.”

Juarez Machado de Farias
juarez.piratini@yahoo.com.br
                            

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domingo, 30 de setembro de 2012

FILHO INTEGRAL


   “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá.”
     (Êxodo 20.12).
              ..........
Em uma manhã de sábado, em visita a meus pais, fiz mais um pão integral. Embora não tenha crescido muito, ficou saboroso, segundo declarações unânimes.
Duas xícaras de farinha branca, duas xícaras de farinha integral, uma pitada de sal, meia colher de sopa com fermento, duas xícara de água, uma xícara de óleo vegetal. Se preferirem, podem colocar uma colher de açúcar mascavo e/ou dentes de alho. Após formar um todo compacto, em que os ingredientes fiquem todos ligados, deixar por duas horas numa forma, coberto por uma toalha. A seguir e por último, levar ao forno e observar o crescimento até dourar.
Esta é a receita muito simples, porém, penso em outra receita: a de filho integral. É a que procuro, há  alguns anos, quando me dei conta dos deveres que tenho para com meus pais que tanto dedicaram de seus tempos para meu bem.
A receita de filho integral, por certo, tem por ingredientes, o amor (que deve equivaler ao fermento), a paciência, a atenção.
Conheço muitos filhos integrais, os quais honram seus pais, e dão exemplos de humanidade e gratidão. Relembro-os e procuro copiá-los.
Após aprontar nosso pão, aproveitamos o calor daquele momento para provar o sagrado alimento na ressolana, na companhia da gatinha Anita, quando já era uma linda tarde em Piratini.
Em nossas bocas, o sabor do pão e de uma paz existencial.    
   
JUAREZ MACHADO DE FARIAS
              juarez.piratini@yahoo.com.br
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